FICHA TÉCNICA

Direção: Grácia Navarro (Grupo Pindorama)

Assistência de Direção: Carolina Banin

Elenco: Artur Mattar, Ewerton Ribeiro e Pedro Paes

Dramaturgia: O grupo Poemas: Vítor Queiroz

Figurino: Vanessa Cristina Petrongari Cenografia: Ewerton Ribeiro

Assistência de Cenografia: Pedro Paes

Apoio de Visualidades: Helo Cardoso

Iluminação: Artur Mattar

Operação de luz e som: Georgia Tavares

Arte gráfica: Deni Latzman

Produção: Juliana Saravali Garcia e grupo

Realização: Grupo Candeia de Teatro e Quebra-Galho.

DO PROCESSO DE CRIAÇÃO

por Grácia Navarro

Identificados com o Cavalo Marinho, foram aventurar-se, ver o que vinha pela frente, partiram em direção a Zona da Mata pernambucana, levando na mala muita curiosidade e máscaras para ir ao encontro. Ir ao encontro levando as máscaras que vinham fazendo em suas práticas enquanto se constituíam autores dessa peça. Depois de acordado entre as partes foram recebidos em Condado e receberam em Barão Geraldo, a oportunidade se fez por interesse recíproco entre os artistas do Candeia e do Cavalo Marinho. Ao final desses encontros assim como um talo que vai deitando raízes a cada ação criada, na construção dinâmica de identidade ética, técnica e estética, o Candeia e eu plantamos uma experiência a partir da fricção entre as concepções de atuação do grupo e a palhaçaria mascarada do Cavalo Marinho. A peça foi se fazendo... levantada no embate concreto com o material, sem um texto inicial... tomei mais uma vez, a formatividade de Luigi Pareyson, como inspiração para os procedimentos metodológicos do processo criativo. Desde o começo de tudo, já haviam começado a formar aventureiramente, se lançando ao que viria pela frente. Como diz Luigi, formar é uma aventura, com decorrências incertas, na trajetória em direção ao "resultado pressentido". Pressentido no sentido de "resultado farejado" no diálogo concreto com o material e não no sentido de resultado pré-concebido ou previsível, cujo processo é realizado com o intuito de "acertar uma receita". O aventureiro deve manter-se em trajetória. A trajetória é frágil e assombrada pela possibilidade do fracasso e do risco de dispersão. As regras do fazer vão sendo inventadas enquanto se vai fazendo; ao acertar, temos certeza de que o fizemos. (PAREYSON: "Os problemas da estética". Martins Fontes: São Paulo, 1984). Da memória, da imaginação, da violência, da morte, do amor, do trabalho, do prazer, da transcendência do tempo cotidiano, da existência de múltiplos planos, do ciclo, do ritual, da estética do trabalhador rural, da linguagem do Cavalo Marinho. A peça atualiza o contexto contemporâneo da disputa por espaços de pregação religiosa com espaços de dança, música e devaneios... como metáfora da sobreposição de culturas hegemônicas sobre a pluralidade cultural, artística e epistemológica. Esses são os temas da nossa peça, qualquer coincidência com a realidade é mera referência.

DA CONCEPÇÃO À REALIZAÇÃO

por Grupo Candeia de Teatro e Quebra – Galho

Na Risca do Facão (Sem CNH Não Vai Ao Show do Pablo) Com Artur Mattar, Ewerton Ribeiro e Pedro Paes “Na Risca do Facão (Sem CNH Não Vai Ao Show do Pablo)” é um espetáculo resultante dos diversos encontros de um grupo de atores com cortadores de cana da Zona da Mata Norte pernambucana, as histórias que circundam seu universo, suas figuras, brincadeiras e desejos, bem como as mazelas, horrores e violências que se escondem nos eitos dos canaviais. Esta montagem do Grupo Candeia de Teatro e Quebra - Galho é um depoimento cênico, de múltiplas fábulas, que carrega a vontade de expressar em lirismo o que rodeia uma manifestação popular. A relação com os brincantes de Cavalo Marinho, expressão cultural característica da região, faz nascer, a partir da aproximação de meios sociais distanciados, e a consequente fricção dela resultante, a necessidade de expressão de um ponto de vista. Mais que expor um processo documental, portanto, assinar os fatos narrados antropofagicamente, deglutidos e posteriormente vomitados, agora fatalmente carregados das características estrangeiras. Ainda que estrangeiros dentro de uma única e própria nação. E das múltiplas contradições que dali aparecem, colonizados e colonizadores, tradição e contemporaneidade, os daqui e os de lá. O processo teve início com a pesquisa de campo, no ano de 2014, recebendo as provocações e estímulos de Grácia Navarro, diretora do projeto. Foram utilizadas técnicas de construção corpórea da mascararia, aliadas às formas espetaculares e dramatúrgicas do Cavalo Marinho pernambucano, até referências musicais populares que vão desde Caymmi a Pablo, ou o nordestino Rei da Cacimbinha, além das religiosidades que ali perpassam. Com três atores, o Grupo carrega o público para dentro de um canavial durante o correr de um dia, do amanhecer do trabalho à caída da noite dos bares de cachaça e prosa. Faz o público sentar-se à porta de casa, frente à rua, para traçar os choques e aprendizados com o alterno.