Espetáculo Exus

Espetáculo ExΨs

Concepção e realização ano 2013

Sinopse: Este espetáculo é uma criação coletiva baseada no orixá Exu uma das divindades mais populares dos terreiros de Candomblé e Umbanda. A divindade existe enquanto uma realidade imaginada e cultuada cotidianamente por meio de suas músicas, seus objetos rituais e um conjunto de histórias míticas. Seu universo também é composto por plantas, animais, minerais, cores e alimentos que representam o orixá. Assim, este espetáculo guarda profunda ligação com este universo simbólico. Nele Exu dá, Exu tira, Exu briga, Exú ama, Exú mata, Exú castiga, Exú vinga... Do chão riscado e entreriscado com símbolos da divindade aos altares que se fazem e se desfazem, aparece e desaparece as múltiplas faces de Exú. Elas fazem brotar danças e marchinhas, desfilar depoimentos e memórias. Assim, das pombas giras às Marias da Praia (lado feminino da divindade), das ciganas adivinhas aos tamborilar de tambores se despontam sedutores e seduzidos, brigas e traições, revoltas e indignações, ciúmes e apaziguações.                        

        A teatralidade ocorre no imbricamento entre uma narrativa mítica que instaura um espaço/tempo do mundo de Exú, com o espaço/tempo das pessoas comuns. Neste sentido, ela foge da estrutura lógica da encenação clássica (com começo meio e fim) e põe em evidência narrativas entrecordas. Isto é, ele expressa a encruzilhada que é a própria morada de Exú. As linhas de fuga estabelecem o eixo central da história. Assim ela se dá no vértice de narrativas. Constitui-se no nó, na curva, na reentrância, no embaraço, no limiar da fronteira. É experiência plástica oferecida pelos componentes visual e sonoro derivado da performance dos atores que dá o tom do espetáculo. Este atributo conecta o espetáculo às expressões populares e as linguagens teatrais contemporâneas e performáticas.

Para abarcar esse contexto, simultaneamente atemporal, pois relacionado ao tempo do mito, e contemporâneo, circunscrito no contexto dos atores e da cidade, aliamos à linguagem teatral a linguagem do filme documentário, resultando em dois produtos complementares que criam a completude de EXÚS.

Enfim, neste espetáculo, a espreita e querendo devorar a todos nós Exú  nos convida a matarmos o pássaro de amanhã com a pedra que atiramos ontem. LARÓYÈ.